Projeto de gaveta, voltei a perseguir a ideia de escrever um
livro. Acho que é coisa dessas que todo mundo tem vontade, escreve umas linhas
e larga pra lá. De todo modo, fora o destino das 3 ou 4 tentativas anteriores.
Dessa vez, peguei gosto pelo tema, pelo assunto, e fui me
apaixonando pelos personagens, deixando-me levar pelo enredo não necessariamente
interessante, mas repleto de sentido para a minha ablução. Mandei email com rascunho
do texto para a pessoa mais critica que conheço, pedindo opinião e voilá, aprovado, continue assim, muito
bem.
... mas...
Meu texto é muito imagético. Meu, imagético? Não é possível,
vou reler esse negócio. E, minha gente, ERA. Me deparei com aquela narrativa
tipo Érico Veríssimo que me fez guardar Clarissa
para sempre no fundo do armário*
Fiquei pensando em como a vida influencia a arte e a arte
influencia a vida. Ou pelo menos em como as circunstancias atuais me remexem na
hora da escrita. Simples assim, é muito mais fácil baixar um filme na net e
assistir uma história em 2h que passar uns dias lendo um livro.
É tanto estímulo visual que até cansa. Mas só cansa se você
treinar o olhar pra reparar, porque se não, vamos deglutindo as imagens, incorporando-as em nossas vidas e pronto... O duro é ler nessa correria do dia a dia, ainda que tenha um tempinho considerável no ônibus ou no metrô. Chacoalhando fica difícil e, pior, eu acostumei tanto a ler antes de dormir que hoje em dia tenho sono quando leio um livro em qualquer circunstância. Horrível.
A parte de me deliciar com as palavras, com as sensações, com o movimento das frases se foi. Nos últimos anos, faculdade, coisa e tal, quase todas as leituras foram obrigatórias e precisavam ser rápidas.
Mas, gente. Sem fast-food, fast-book, fast-nada. Eu quero os segundos dentro das horas, ok?
:)