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sábado, 30 de junho de 2012

Ônibus Hacker

Depois de dar uma volta pelas carroças pimpadas, vi um ônibus de viagem parado num canto do Vale. Bem exótico, achei, porque o ônibus também estava sendo grafitado. 

E era assim: vinha um grafiteiro fazia a sua arte, depois chegava outro e fazia outra, enfim. Lendo assim parece que ficou uma bagunça sem sentido, né? Mas não!! Fui conversar com o pessoal para saber o que era e encontrei o namorado de uma amiga do interior, o Fabers, super tirando fotos. Ele me contou que o pessoal do ônibus tinha pedido para que houvesse um diálogo entre os grafites. 


Infelizmente não consegui as fotos do Ônibus pronto com ele... Mas só pelo estilão dá pra ver que ficou super legal, né?

Bom, certo, o busão está sendo grafitado. Mas de onde ele veio??

Foi então que descobri mais um projeto muito interessante, chamado Ônibus Hacker. Assim como o "Pimp my Carroça", o ônibus foi comprado com dinheiro de doação via Catarse. A proposta dos caras é levar a informação a todos os lugares, buscando a apropriação de tecnologias e tratando o assunto como ele deve ser tratado: de forma política. Pelo que conversei, o pessoal envolvido também faz parte da Casa da Cultura Digital. Vai o site deles para quiser se informar por meio das palavras dos idealizadores. Ouvi dizer que ia rolar uma "Invasão Hacker" (como eles chamam quando param nos lugares) no Complexo do Alemão, durante a Rio +20, mas não conversei com mais ninguém pra saber como foi. Antes das invasões ele mapeiam o local, traçam um perfil, conversam com as pessoas que se disponibilizam para ajudar. Tudo para traçar as ações que serão feitas, que vão de fornecer oficinas a receber o Gilberto Gil. Hahahaha. Brincadeira, é que parece que foi meio do nada mesmo. Ele simplesmente colou la! A primeira foto mostra o momento e o cara de costas é o meu brother, o Fabers.

No evento Pimp my Carroça, não vi nenhuma oficina ou intervenção, além da grafitagem, porque cheguei muito tarde. Uma pena!


Pensando nisso da apropriação de tecnologias, acho que é bem isso o que o professor está querendo com esse blog. Pelo menos me pareceu. Sempre fui meio pata para coisas virtuais e, de repente, estou fazendo um stop motion com as meninas. Quando é que eu ia imaginar?

Pra mim, ações desse tipo muito relevantes, especialmente nos levar a acreditar que podemos fazer aquilo que um dia alguém disse que só gente muito importante fazia. Tem várias questões levantadas pelas meninas à respeito das redes sociais, e eu concordo. Mas esse lance do faça você mesmo e de poder mostrar aquilo que você fez por meio das redes é incrível. O poder da comunicação é imenso e intenso e acho mesmo que devemos nos apropriar dele, porque também é nosso!

Pimp my Carroça

Falando em colaboração e ações do Catarse, no dia 03 de junho tive o prazer de conhecer o pessoal que colocou para rodar um projeto bem interessante.

Eu estava de bobeira no domingo quando resolvi dar uma volta pela Virada Sustentável. Fui parar lá no Vale do Anhangabaú, onde rolava a ação "Pimp my Carroça". "Pimp" é uma gíria em inglês que significa incrementar ou, para os mais velhos, "envenenar" (o carro). A ação sustentável de arte visava tirar os catadores da invisibilidade, o que é muito interessante. Além do grafite, as carroças receberam um tratamento de madeira, de alumínio, enfim, uma reforma completa. O que eu achei legal foi ver dois públicos marginalizados pela sociedade unindo forças para mostrar o rosto de suas existências. Afinal, entre os artistas, que em sua maioria são mal pagos e mal vistos, os grafiteiros parecem estar na borda. E isso eu digo por pura especulação mesmo, tendo como referência as coisas que ouço no dia a dia. Tem que se manifestar!

Mas não foram só as carroças que foram pimpadas não. No vale tinha também atendimento médico e dentário, além de distribuição de alimentos e shows de rap e hip hop. Não sei como esses estilos foram escolhidos, espero que por consulta aos donos das carroças, né, não simplesmente por especulação...

Funcionou assim: catadores e grafiteiros se cadastravam previamente para que cada grafiteiro tivesse a oportunidade de pimpar pelo menos uma carroça; foram abertas somente 50 inscrições. Mas parece que o evento foi repetido no Rio (23/06), o que dá a entender que pode rolar uma segunda edição por aqui. Toda a verba foi arrecadada via Catarse. 




Essa parte em cima era uma cabeceira de cama


Massa, né? No fim, rolou até desfile!
Também pimparam uma kombi e um Ônibus Hacker, que é assunto do outro post.