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sábado, 30 de junho de 2012

As palavras, as coisas e as imagens


Projeto de gaveta, voltei a perseguir a ideia de escrever um livro. Acho que é coisa dessas que todo mundo tem vontade, escreve umas linhas e larga pra lá. De todo modo, fora o destino das 3 ou 4 tentativas anteriores.

Dessa vez, peguei gosto pelo tema, pelo assunto, e fui me apaixonando pelos personagens, deixando-me levar pelo enredo não necessariamente interessante, mas repleto de sentido para a minha ablução. Mandei email com rascunho do texto para a pessoa mais critica que conheço, pedindo opinião e voilá, aprovado, continue assim, muito bem.

... mas...

Meu texto é muito imagético. Meu, imagético? Não é possível, vou reler esse negócio. E, minha gente, ERA. Me deparei com aquela narrativa tipo Érico Veríssimo que me fez guardar Clarissa para sempre no fundo do armário*

Fiquei pensando em como a vida influencia a arte e a arte influencia a vida. Ou pelo menos em como as circunstancias atuais me remexem na hora da escrita. Simples assim, é muito mais fácil baixar um filme na net e assistir uma história em 2h que passar uns dias lendo um livro.

É tanto estímulo visual que até cansa. Mas só cansa se você treinar o olhar pra reparar, porque se não, vamos deglutindo as imagens, incorporando-as em nossas vidas e pronto... O duro é ler nessa correria do dia a dia, ainda que tenha um tempinho considerável no ônibus ou no metrô. Chacoalhando fica difícil e, pior, eu acostumei tanto a ler antes de dormir que hoje em dia tenho sono quando leio um livro em qualquer circunstância. Horrível.

A parte de me deliciar com as palavras, com as sensações, com o movimento das frases se foi. Nos últimos anos, faculdade, coisa e tal, quase todas as leituras foram obrigatórias e precisavam ser rápidas.

Mas, gente. Sem fast-food, fast-book, fast-nada. Eu quero os segundos dentro das horas, ok?

:)